Uma capa, um retrato,
um reconhecimento.
um reconhecimento.
RETRATO
Faria Guilherme
Iinfodesenho, A3,2012
CAPA
A data era 1977. Já há um ano eu assumira como professor
colaborador, por indicação e convite do Prof. Heitor Faria Guilherme, que se
afastava das atividades docentes no curso de Comunicação Social da UFC para assumir a Diretoria do Centro de
Humanidades, para substituí-lo na
disciplina Editoração.
Até então, dividira as atividades de Técnico MS Training da
National Cash Register com alguma tarefa publicitária eventual na Stylus
Publicidade, em ritmo lento (possível) de free lancer. O retorno à Universidade Federal do Ceará,
agora como docente, me aproximava mais das atividades para as quais me
preparara no Curso de Jornalismo.
O convite do Professor Faria para fazer a capa e cuidar da
editoração do seu primeiro romance1 me impunha uma imensa
responsabilidade, mas também me permitia mostrar alguma atividade prática aos
alunos que agora me seguiam na disciplina.
Li o livro com avidez, uma, duas, inúmeras vezes. A temática, o
enredo, o cenário, as personagens e o perfil do autor foram pesquisados à
exaustão.
Duas particularidades ficaram marcadas: a temática e o autor. O
futebol (cearense) como carreira ilusória para os seus protagonistas,
principalmente para os jogadores, e o drama da realidade pós-experiência.
No outro extremo, o autor,
advogado por formação acadêmica, jornalista de batente e,
principalmente, um professor acessível e brando no trato, mas extremamente
cioso no mister do magistério e rigorosamente severo na condução das suas
disciplinas.
Docente dedicado à sua instituição, fez da ética ao seu vade-mécum, exercendo-a em limites quase extremos, quer na
sala de aulas, quer nas atividades suplementares ao magistério, quer nas
atividades administrativo-acadêmicas (coordenação de curso, chefia de
departamento e diretoria de centro) que ocupou com firmeza e desenvoltura. Empenhou-se ao estudo e prática da edição
dos livros e sua permanente pesquisa na
área da editoração, além do seu esmero
como revisor, rendeu-lhe a publicação de um dos mais completos compêndios de revisão de originais.2
Dadas as condições técnicas vigentes à época na Imprensa
Universitária, tanto o projeto gráfico do miolo quanto a arte da capa foram
direcionados à tipografia convencional, tendo-se conseguido, a algum custo, um
frontespício com duas cores.
A capa, impressa a duas cores sobre papel chambril pelo mestre Viana, no velho e confiável
prelão, é uma verdadeira aula de impressão e, sempre que a olho, pondero que poderia ter
feito um trabalho mais elaborado, mais ao patamar do merecido.
Guardo com carinho o exemplar já meio desbotado com a afável
dedicatória do Professor Faria Guilherme que, com a convivência, revelou-se estimado e discreto
amigo, a quem reservo o mais elevado reconhecimento.
_________________
1-GUILHERME,
Heitor Faria, Miséria e sonho no Canal,
Fortaleza, Academia Cearense de Letras, 1977
2-GUILHERME,
Heitor Faria, Manual de revisão, Fortaleza,
Imprensa Universitária, 1967




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