quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


Uma capa, um retrato, 
um reconhecimento.


RETRATO

Faria Guilherme
Iinfodesenho, A3,2012



CAPA

























A data era 1977. Já há um ano eu assumira como professor colaborador, por indicação e convite do Prof. Heitor Faria Guilherme, que se afastava das atividades docentes no curso de Comunicação Social da UFC para assumir a Diretoria do Centro de Humanidades, para substituí-lo na disciplina Editoração.

Até então, dividira as atividades de Técnico MS Training da National Cash Register com alguma tarefa publicitária eventual na Stylus Publicidade, em ritmo lento (possível) de free lancer.  O retorno à Universidade Federal do Ceará, agora como docente, me aproximava mais das atividades para as quais me preparara no Curso de Jornalismo.

O convite do Professor Faria para fazer a capa e cuidar da editoração do seu primeiro romance1 me impunha uma imensa responsabilidade, mas também me permitia mostrar alguma atividade prática aos alunos que agora me seguiam na disciplina.

Li o livro com avidez, uma, duas, inúmeras vezes. A temática, o enredo, o cenário, as personagens e o perfil do autor foram pesquisados à exaustão.

Duas particularidades ficaram marcadas: a temática e o autor. O futebol (cearense) como carreira ilusória para os seus protagonistas, principalmente para os jogadores, e o drama da realidade pós-experiência.

No outro extremo, o autor,  advogado por formação acadêmica, jornalista de batente e, principalmente, um professor acessível e brando no trato, mas extremamente cioso no mister do magistério e rigorosamente severo na condução das suas disciplinas.

Docente dedicado à sua instituição, fez da ética ao seu vade-mécum, exercendo-a em limites quase extremos, quer na sala de aulas, quer nas atividades suplementares ao magistério, quer nas atividades administrativo-acadêmicas (coordenação de curso, chefia de departamento e diretoria de centro) que ocupou com firmeza e desenvoltura. Empenhou-se ao estudo e prática da edição dos livros e sua permanente pesquisa na área da editoração, além do seu esmero como revisor, rendeu-lhe a publicação de um dos mais completos compêndios  de revisão de originais.2

Dadas as condições técnicas vigentes à época na Imprensa Universitária, tanto o projeto gráfico do miolo quanto a arte da capa foram direcionados à tipografia convencional, tendo-se conseguido, a algum custo, um frontespício com duas cores.
A capa, impressa a duas cores sobre papel chambril  pelo mestre Viana, no velho e confiável prelão, é uma verdadeira aula de impressão e, sempre que a olho,  pondero que poderia  ter  feito um trabalho mais elaborado, mais ao patamar  do merecido.

Guardo com carinho o exemplar já meio desbotado com a afável dedicatória do Professor Faria Guilherme que, com a convivência, revelou-se estimado e discreto amigo, a quem reservo o mais elevado reconhecimento.












_________________
1-GUILHERME, Heitor Faria, Miséria e sonho no Canal, Fortaleza, Academia Cearense de Letras, 1977
2-GUILHERME, Heitor Faria, Manual de revisão, Fortaleza, Imprensa Universitária, 1967

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