Elegias de outono
e canções de muito amar e de adeus
de
Artur Eduardo Benevides.
Na memória,
registrada como minha primeira investida na área das artes visuais e gráficas,
a capa do Prof. Artur Eduardo Benevides. Foi criada por sua solicitação quando
ele ocupava o cargo de Diretor do Centro de Humanidade e eu, no último ano de
faculdade (Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará), fazia
as primeiras investidas na Imprensa Universitária1.
À época, o
sistema de impressão em offset ainda era incipiente em Fortaleza e o ensino da
arte gráfica era também difícil. Quase tudo que se aprendia era baseado em
sistemas de impressão muito antigos e a produção de livros era desenvolvida
quase sempre em tipografia convencional.
A
publicidade, mais avançada, permitia ousadias como o uso dos tipos decalcáveis2,
do aerógrafo e de outras inovações técnicas na criação de layouts bem
elaborados e artefinais de alto refinamento. O que de mais atualizado se
aprendia vinha dali, de forma empírica no batente da agência ou, como no meu
caso, em estágio curricular.
Enfrentavam-se
problemas com “composição” de textos em corpos3 pequenos, visto
que a composição à quente4 não presentava boa qualidade e a
fotocomposição (obitida em raras oficinas/laboratórios) tinha custo muito alto
para os layouts, o que impunha ao profissionais o uso de algumas simbologias
para representar os textos nos layouts (corpo, entrelinha, justificação,
identamentos etc.), como os famosos “Monomno nomo nono mnono” ou sua forma reduzida,
mais simbólica ainda: linhas paralelas dispostas em pares.
A layout
desta capa foi executado sobre papel opaline, o desenho com penas de traço
contínuo (nankim preto) e os tipos foram os decalcáveis da Letraset. A cor foi
aplicada com caneta hidrográfica.
Como não dispunha
de texto para a 4ª capa, sugeri ao autor a inserção de um poema, ou parte de
um, para não deixar aquele espaço totalmente em branco. Representei com
paralelas o local onde o poema deveria ser aposto e, no orverlay, indiquei
fonte, corpo, estilo entrelinha e critério de justificação da composição.
Por algum
motivo, imprimiu-se a capa a partir do layout e ignorou-se o rol de orientações
para a quarta capa, preservando-se, assim, as linhas simbólicas que deveriam
ser substituídas por poema do Príncipe dos Poetas Cearenses.


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