quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A 1ª CAPA











Capa  do Livro:

Elegias de outono

e canções de muito amar e de adeus

de

Artur Eduardo Benevides.

 

 

 

       Na memória, registrada como minha primeira investida na área das artes visuais e gráficas, a capa do Prof. Artur Eduardo Benevides. Foi criada por sua solicitação quando ele ocupava o cargo de Diretor do Centro de Humanidade e eu, no último ano de faculdade (Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará), fazia as primeiras investidas na Imprensa Universitária1.

À época, o sistema de impressão em offset ainda era incipiente em Fortaleza e o ensino da arte gráfica era também difícil. Quase tudo que se aprendia era baseado em sistemas de impressão muito antigos e a produção de livros era desenvolvida quase sempre em tipografia convencional.

A publicidade, mais avançada, permitia ousadias como o uso dos tipos decalcáveis2, do aerógrafo e de outras inovações técnicas na criação de layouts bem elaborados e artefinais de alto refinamento. O que de mais atualizado se aprendia vinha dali, de forma empírica no batente da agência ou, como no meu caso, em estágio curricular.

Enfrentavam-se problemas com “composição” de textos em corpos3 pequenos, visto que a composição à quente4 não presentava boa qualidade e a fotocomposição (obitida em raras oficinas/laboratórios) tinha custo muito alto para os layouts, o que impunha ao profissionais o uso de algumas simbologias para representar os textos nos layouts (corpo, entrelinha, justificação, identamentos etc.), como os famosos “Monomno nomo nono mnono” ou sua forma reduzida, mais simbólica ainda: linhas paralelas dispostas em pares.

A layout desta capa foi executado sobre papel opaline, o desenho com penas de traço contínuo (nankim preto) e os tipos foram os decalcáveis da Letraset. A cor foi aplicada com caneta hidrográfica.

Como não dispunha de texto para a 4ª capa, sugeri ao autor a inserção de um poema, ou parte de um, para não deixar aquele espaço totalmente em branco. Representei com paralelas o local onde o poema deveria ser aposto e, no orverlay, indiquei fonte, corpo, estilo entrelinha e critério de justificação da composição.

Por algum motivo, imprimiu-se a capa a partir do layout e ignorou-se o rol de orientações para a quarta capa, preservando-se, assim, as linhas simbólicas que deveriam ser substituídas por poema do Príncipe dos Poetas Cearenses.





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1- Imprensa Universitária: Órgão suplementar da Universidade Federal do Ceará. Crianda pelo Prof. Antônio Martins Filho, à época dirigida  por Ancelmo Frazão, e tida como a mais competente e profíqua produtora de livros da cidade de Fortaleza.
2- Lâminas de plástico com letras decalcáveis em diferentes fontes e tamanhos. As mais conhecidas era as produzidas pela Letraset.
3- Tamanho da fonte, à época medido em pontos (1/12 avos do cícero que equivale a 4,512 mm.)
4- Composição  produzida mediante fundição, na maior parte dos casos, pelas “linotipos”.



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