quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019



O retorno do Dragão
(Abas da capa do livro 
A Face do Enigma
de Dimas Macedo)









Quando, em 2002, fez-se à lume A face do Enigma José Alcides Pinto e sua escritura literária -, JAP, que em sua branca e quixotesca armadura, cavalgava solene, amparado pela inquietude do seu gênio, arrefeceu o passo, rendeu-se, arremessou braços aos céus numa prece e, com sua draconiana aura rompeu um silêncio.
           O opúsculo que se lançava ao mercado editorial, em esmerada e limitada edição de exemplares numerados, continha em seu corpus o resultado de longa e minuciosa pesquisa de Dimas Macedo na busca de traçar um perfil daquele enigmático escritor. Exibia, ainda, além dos decassílabos e entrevista nos quais o autor confessa inconteste admiração, 12 gravuras exclusivas, reveladas na madeira pelo dom de renomados artistas cearenses que, com elas, gravavam para a posteridade, ao criador de O Amolador de Punhais, as suas reverências.
           Agora, vencida uma curta calmaria e em tempo de memórias, rompe-se outra vez o silêncio. Embora já não se escute mais o urro do desaquietado dragão, ainda é possível e necessário ouvir o ruflar das suas asas, quase quietas, mas ainda a sacudir os ares das terras escaldantes de São Francisco do Estreito. De lá, JAP, o Enigma, embora recluso, ainda deixa à mostra a força da sua energia, ainda exerce o fascínio exuberante da sua literatura e ainda mantém acesa a aura que o envolve em mistério.
Louco, maldito, mítico, místico, monge, ícone, gênio ou simplesmente um homem que se atreveu a trazer para esta, aquela esfera só permitida aos deuses e aos poetas?  Talvez suas tantas identidades sejam necessárias para entendê-lo, talvez não lhe reconhecer nenhuma seja a chave para desvendar-lhe o mistério. Relevantes, sabemos, são a sua obra e a incessante investigação crítica da sua identidade.     
       
   Reedita-se agora o evento, - relevando seus entes, sua vida, suas inquietas e desafiadoras letras e suas insólitas páginas, - e se o conclama do seu curto descanso a colocar-se entre nós, a ocupar o seu lugar de direito nos degraus mais altos da literatura brasileira.
           Outra vez A Face do Enigma. Agora, Dimas Macedo, alforjado somente de sua argúcia de pesquisador, qual franciscano, despe-se solenemente das suas merecidas vestes de poeta, despoja sua obra e a republica como uma prenda rara, assumindo-se admirador, guardador das memórias e amigo incondicional de José Alcides Pinto.



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